Especialistas elogiam nova
metodologia de testes, que inclui sistematização de conhecimento em
plataformas robotizadas, permitindo a criação de banco de dados,
descentralizando o controle e aquisição da tecnologia
O mercado farmacêutico no Brasil movimentou, em 2011, R$ 43
bilhões e vem crescendo a taxas de dois dígitos percentuais nos
últimos cinco anos. Como o principal comprador é o governo, seja na
esfera federal, estadual ou municipal, há, portanto, um grande
aporte de recursos públicos nessa importante área.
Deve-se considerar, entretanto, que indústria fornecedora importa
80% dos insumos básicos e, dos 20 maiores laboratórios ditos
nacionais, só dois são brasileiros de origem e ficam na terceira e
décima sexta posição, em termos de participação no mercado.
Os insumos, predominantemente importados, são transformados em
medicamentos ditos de referência, quando a formulação é a original.
As cópias dessa formulação que utilizam os mesmos insumos são
vendidas como medicamentos similares ou genéricos.
O registro dos genéricos obriga a demonstração pela indústria que o
comportamento em 10 seres humanos saudáveis com respeito à
absorção, metabolismo e excreção, medidos pela farmacocinética, são
semelhantes ao da preparação original. Isso é feito uma única vez,
na ocasião do registro.
Há, entretanto, um método para a medida de bioeficácia que foi
desenvolvido a partir de um modelo experimental, totalmente feito
no Brasil, por Hiss Martins-Ferreira e Gilberto Oliveira e Castro,
e de um contexto teórico fundamentado na teoria de sistemas
excitáveis.
Em um estudo comparativo sobre a bioeficácia e formulações,
realizado na Universidade de Hohenheim, em colaboração com a ANVISA
e publicado este ano no periódico: The Open Pharmachology Journal,
ISSN: 1874-1436 – Volume 6, 2012, 1-11, foi demonstrado que é
possível comparar a eficácia e segurança de insumos, preparações e
novos compostos de forma simples e barata que pode ser repetida
lote a lote.
Nesse estudo, insumos e preparações foram comparados e o método
demonstrou a mesma sensibilidade da ferramenta química usada
atualmente, isto é, a cromatografia (HPLC). Além disso, a robustez
do novo método foi validada.
Os resultados corroboraram fatos interessantes: o medicamento
similar, obtido pela cópia fiel da formulação de referência, com
rigorosa reprodutibilidade, foi o que obteve melhores resultados,
mesmo com pequena variância na preparação referência.
Outro genérico com a mesma fórmula, mas com maior variância na
composição, apresentou, quando testado pelos novos métodos,
resultados também mais variáveis na bioeficácia. Um terceiro mudou
a formulação e os testes pela nova metodologia indicaram mudanças
consideráveis na farmacocinética (absorção e distribuição) e na
farmacodinâmica (comportamento em modelo biológico).
Entretanto, pelo que se sabe, os dois: o de grande variância nos
componentes lote a lote e o de fórmula alterada receberam o mesmo
registro. Fica, então, a hipótese de que o novo método, baseado na
dinâmica de sistemas excitáveis, além de nacional, mais prático e
mais barato, é superior tecnicamente ao modelo adotado
atualmente.
A importação de insumos levou a ANVISA à resolução (resolução RDC
57/2009) de registrá-los. A quantidade de fornecedores
internacionais, particularmente da China e da Índia, exige a
criação de plataformas que gerem bancos de dados para o controle de
qualidade das aquisições.
Essa é mais uma vantagem da nova metodologia de testes:
sistematização de conhecimento em plataformas robotizadas,
permitindo a criação de banco de dados, descentralizando o controle
e aquisição da tecnologia pelas indústrias ou por grandes
compradores como as farmácias dos hospitais públicos.
Isso evitaria acidentes como aquele de um dono de indústria do Rio
de Janeiro que resolveu sintetizar o contraste sulfato de bário. A
contaminação com carbonato matou onze pessoas. Caso houvesse, ao
seu alcance, método padronizado de testes em modelo biológico
rápido e barato, isso seria evitado e daríamos um passo importante
para a independência na produção de insumos e não para a
tragédia.
Nosso amigo, Henrique Del Nero nos ensinou que cérebros são
individuais, mas mentes sempre coletivas. Neste século XXI, a
criação de poderosas mentes coletivas baseadas na Tecnologia de
Informação vai revolucionar todos os campos de conhecimento.
A química orgânica já começou a sistematizar todas as vias
conhecidas de síntese de compostos em memória coletiva ao alcance
de todo neófito. O modelo desenvolvido por Hiss Martins-Ferreira e
Gilberto Oliviera e Castro já acumula 60 anos de pesquisa básica e
está pronto para a sistematização.
É um exemplo de serventia da universidade modelo tradicional e de
pesquisa básica, feita pela curiosidade do saber que acaba dando
frutos tecnológicos inesperados.