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Amil, Sul América Saúde e Medial são
consideradas por médicos as que mais interferem na autonomia
médica
Cerca de 90% dos médicos paulistas declaram sofrer interferência
dos planos de saúde, revela pesquisa do Datafolha, realizada a
pedido da Associação Paulista de Medicina (APM). Mais da metade
(52%) afirma que isso ocorre em todos ou na maioria dos planos.
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Quando pedidos para avaliar o grau dessa interferência, os médicos
paulistanos dão nota 6,3, enquanto os da região metropolitana e do
interior do estado consideram a intervenção ligeiramente menor
(5,7).
Para cerca de três em cada 10 médicos, o tipo de interferência que
mais afeta a autonomia médica é a glosa de procedimentos ou medidas
terapêuticas. Um total de 79% dos entrevistados afirmam sofrer
recusa de pagamento nesse sentido. Na sequencia, 77% reclamam de
intromissão para restringir o número de exames ou procedimentos
solicitados, enquanto 71% são pressionados em atos diagnósticos e
terapêuticos mediante designação de auditores e 71% dizem sofrer
restrição em relação a doenças pré-existentes. Além disso, mais da
metade dos médicos (56%) declaram ser pressionados para reduzir o
tempo de internação.
Os três planos de saúde considerados pelos médicos os que mais
glosam procedimentos e medidas terapêuticas foram Amil (14%), Sul
América Saúde (13%) e Medial (12%). Ao mesmo tempo, 14% dos
profissionais dizem que todos os seguros são iguais.
Já no quesito interferência em número de exames e procedimentos, os
médicos paulistas consideram líderes a Amil (12%), Medial (11%),
Intermédica (10%) e Sul América Saúde (8%).
No que diz respeito a atos diagnósticos e terapêuticos mediante
designação de auditores, Amil, Medial e Sul América Saúde estão
empatados com 11%, na opinião dos profissionais entrevistados,
enquanto 22% não vêem diferença entre as marcas.
Outras avaliações
O médico paulista atribui nota 4,7 para avaliar os planos de saúde,
em geral. Considerando apenas aqueles com os quais os profissionais
se relacionaram nos últimos cinco anos, a avaliação é de 5,1 numa
escala de zero a 10.
Há um empate entre quatro marcas no ranking dos piores planos ou
seguros de saúde do Brasil. Medial, Intermédica, Amil e Cassi -
Banco do Brasil foram os mais votados, com cerca de 10% cada,
informa a pesquisa.
Em relação à remuneração, Medial e Intermédica são percebidas como
os planos que pagam o pior honorário médico, por 14% e 12% dos
entrevistados, respectivamente.
Perfil dos Entrevistados
A pesquisa foi realizada entre junho e agosto de 2010. Foram
ouvidos 403 médicos do estado de São Paulo, cadastrados ou
conveniados a no mínimo três planos de saúde, atualmente ou nos
últimos cinco anos.
Segundo o Datafolha, a maioria dos médicos que atende seguros de
saúde no estado é do sexo masculino, com média de idade de 46 anos.
Veja aqui a pesquisa na íntegra.
Outro Lado
O Saúde Business Web entrou em contato com as operadoras mais
citadas pelos médicos, como Amil, Intermédica e Medial. As empresas
se manifestaram por meio da Federação Nacional de Saúde Suplementar
(FenaSaúde). Leia a nota, na íntegra:
"Como gestoras dos recursos destinados à saúde privada, as
operadoras consideram que o médico é soberano no diagnóstico e
tratamento dos pacientes. A Federação Nacional de Saúde Suplementar
(FenaSaúde), entidade representante das operadoras, esclarece que
suas afiliadas não fazem qualquer restrição ao acesso a serviços -
como internações e exames - desde que estejam previstos nas
coberturas contratuais dos planos e nas diretrizes determinadas
pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No ano passado,
por exemplo, foram autorizadas 62 milhões de consultas, 146 milhões
de exames em todo o País. A observância de critérios é fundamental
para garantir o bom funcionamento do sistema e a assistência
efetiva aos beneficiários."
Já a Cassi - Banco do Brasil enviou o seguinte posicionamento:
Pesquisa Datafolha - Posicionamento da CASSI
"O resultado da pesquisa Datafolha surpreende a CASSI, que está
entre as melhores operadoras do País, segundo avaliação da Agência
Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A pesquisa divulgada no
segundo semestre de 2010 pela agência reguladora atribui à Caixa de
Assistência a nota 0,78 (o máximo é 1,00), incluindo-a entre os 25%
dos planos que obtiveram nota acima da média de 0,60, considerada
adequada pela Agência. A CASSI está a 0,02 ponto do conjunto das 23
melhores operadoras do País.
Em sua pesquisa, a ANS considera todos os fatores que interferem na
atuação dos planos de saúde. O Índice de Desempenho da Saúde
Suplementar (IDSS) da agência reguladora utiliza quatro critérios
para atribuir notas: atenção à saúde, saúde econômico-financeiro;
estrutura e operação e satisfação dos beneficiários.
A CASSI está entre os planos com melhor cobertura -
tradicionalmente ofereceu serviços de saúde de ponta, que só
recentemente a ANS tornou obrigatórios. Sua Política de Assistência
Farmacêutica comprova a disposição da CASSI em oferecer ampla
cobertura de benefícios. Mesmo sem ser exigência da agência
reguladora, a Caixa de Assistência entrega medicamentos subsidiados
na residência de seus participantes.
Com mais de 700 mil beneficiários, a CASSI é a maior operadora de
saúde de autogestão brasileira. O índice de permanência dos
beneficiários no plano beira 98%. O total de prestadores de serviço
aumentou de 38 mil para 41 mil desde 2009.
Por dois anos consecutivos (2008 e 2009), a CASSI conquistou o
Prêmio Top Hospitalar como a melhor operadora de autogestão do
Brasil.
As glosas, item divulgado na pesquisa com o percentual mais alto de
insatisfação por parte dos médicos, ocorrem com base em
não-conformidades dos procedimentos definidos como padrão pela
CASSI. A regulamentação da CASSI leva em conta procedimentos
médicos consolidados pela Organização Mundial de Saúde, Associação
Médica Brasileira e Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que
visam resguardar a saúde dos pacientes.
A CASSI possui casos de participantes que tiveram autorização de
procedimentos negada e que, após encaminhamento a outros
profissionais, tiveram uma melhor solução para seu problema,
confirmando a atuação correta da Empresa.
A Caixa de Assistência respeita as orientações e prescrições
médicas dos profissionais de saúde credenciados. No entanto, não
abdica do direito de manter equipe de médicos auditores para
referendar os procedimentos médico-hospitalares mais complexos.
A afirmação de que seja um dos planos de saúde que mais dificulta a
liberação de procedimentos não corresponde aos números. De 2008
para 2009, o total de liberações de consultas, exames, cirurgias,
internações e remoções saltou de 24,1 milhões para 26,1 milhões,
aumento de 8,5%, sendo que a população total de usuários no período
manteve-se estável.
A CASSI desconhece os critérios que foram utilizados na pesquisa
Datafolha e gostaria de ter acesso aos dados para que pudesse se
posicionar pontualmente."
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