Pesquisa do MS em parceria
com o IEE/USP aponta más condições na instalação e qualidade de
equipamentos
No Brasil, não há regulamentação para a assistência técnica e
manutenção de produtos e equipamentos de saúde. Ou seja, aqueles
aparelhos, inicialmente analisados pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa), têm o reparo e conserto realizados
por empresas, que atuam praticamente sem regras. Além disso, não
existe um levantamento nacional da qualidade dos aparelhos em uso,
o que coloca em risco a segurança do paciente.
Para resolver esse problema, a Anvisa, desde 2009, começou a
estruturar um programa que torna compulsório, para hospitais e
fabricantes, a notificação de defeitos técnicos e de efeitos
adversos, que podem causar danos aos pacientes. Outra iniciativa é
o Programa Nacional de Avaliação de Segurança e Desempenho de
Equipamentos Eletromédicos do SUS (PROSEG-SUS), realizado pelo
Ministério da Saúde e Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP
(IEE), com o intuito de analisar as condições dos aparelhos
utilizados Brasil afora.
Ainda preliminar, o estudo já indica, a precariedade em algumas
instituições analisadas. “Há extremos abaixo de um padrão
aceitável. Mas quem julgará é o Ministério da Saúde”, disse o
coordenador do estudo Márcio Bottaro, durante evento da Abimed,
nesta quarta-feira (29).
Segundo Bottaro, os problemas estão além do uso do aparelho em
si, pois as condições elétricas, essenciais para o uso correto dos
equipamentos estão precárias em alguns centros analisados. “Não
adianta um superequipamento, se as instalações elétricas estão
horríveis”.
O Ministério da Saúde sugeriu como amostra para a pesquisa 53
instituições da Rede Sentinela. Desse universo, 40 entidades o
participaram do estudo, que não é obrigatório. As participantes
estão em várias regiões do Brasil com predomínio na região sudeste,
com 22 unidades.
A análise ocorreu em um ano e meio. Foram 1208 equipamentos
avaliados como: raio-x, mamógrafos, desfibriladores, bombas de
infusão, máquinas de anestesia, monitores cardíacos, bisturis
eletrônico. As máquinas de hemodiálise deveriam ter sido
analisadas, mas isso não ocorreu, pois segundo Bottaro, os
aparelhos estavam 100% ocupados.
Para mensurar esses resultados, o IESS/USP está usando a IEC
(International Electrotechnical Commission) – série 60/601, Ecri
Institute e outras normas. Esse é o momento de análise de dados,
até o final de 2012, as informações serão reportadas à pasta e, em
2013, o MS anunciará uma resolução sobre tema.