O texto aprovado pela Câmara na madrugada de quarta-feira (26)
que destina parte dos recursos dos royalties do pré-sal para
financiamento da saúde e educação corre riscos de sofrer alterações
drásticas no Senado. Segundo o líder do governo no Senado, Eduardo
Braga (PMDB/AM), o Planalto está disposto a aceitar a divisão de
75% dos royalties para educação e os 25% restantes para saúde.
O Planalto, no entanto, se irritou com a alteração feita pela
Câmara no item que versa sobre a estrutura do Fundo Especial
formado pelo recolhimento de royalties e a inclusão de contratos em
vigor referentes a blocos de petróleo que ainda não produzem. Os
ministérios da Casa Civil e de Relações Institucionais trabalham
para reverter no Senado os itens alterados na Câmara.
Segundo o portal iG, a divisão de 75% e 25% pode ser usada pelo
Planalto como moeda de troca para que a Câmara retire a questão dos
contratos vigentes.
A destinação de 50% dos recursos do Fundo Especial para a
educação e a garantia, para a União, de um mínimo de 60% do
petróleo produzido nos contratos de partilha também sofreu
críticas. Para o governo, o texto aprovado pode causar prejuízos
para o fundo e para o próprio sistema de produção petrolífera.
No Senado, a votação do projeto não tem data para entrar na
pauta. Assim, o Planalto terá tempo para elaborar argumentos
jurídicos para mudar o texto vindo da Câmara. Entre as alternativas
há a possibilidade de apresentar um substitutivo global – incluindo
mudanças na proporcionalidade da destinação dos recursos – que
faria o texto voltar para a Câmara.