No segundo dia do 20º Congresso dos
Corretores teve uma agenda cheia. A parte da manhã teve muitas
palestras. O seguro auto foi tema de discussão com o painel “
Desafios do seguro de automóvel: proteção pirata e era digital”. O
tema foi discutido por Luis Gutiérrez, CEO da Mapfre; Murilo
Riedel, presidente da HDI; Luiz Pomarole, diretor de automóvel da
Porto Seguro; José Adalberto Ferrara, presidente da Tokio Marine;
Eduardo Dal Ri, presidente da comissão de automóvel da SulAmérica;
João Francisco Borges da Costa, presidente da FenSeg. O painel teve
a mediação de Maria Filomena Branquinho, presidente do
Sincor-MG.
Abrindo o painel, o presidente da HDI
destacou que a queda na venda de veículos impactou diretamente o
mercado de seguros. Ele afirmou que hoje o mercado é diferente. “É
mais fácil vender seguro para veículos novos e seminovos. O
consumidor quer comprar seguro”, disse. Para ele faz sentido
comprar seguro para este tipo de veículo. Por isso quando a frota
envelhece, há um sinal amarelo de que as práticas comerciais
precisam ser adaptadas. Esses veículos não saíram do mercado. A
recuperação na venda de veículos está mais lenta que o esperado. É
importante adaptarmos os processos de venda para uma frota
envelhecida.
Já o executivo da Mapfre, destacou que
o mercado está mudando. “há pessoas que compram pela internet e
compram presencial, há internet das coisas, temos uma evolução na
fabricação de automóvel com a telemetria e o carro autônomo, por
exemplo. O que vamos fazer?”, questionou. O executivo disse que o
mundo digital não se restringe à internet. Temos de aprender a ser
assertivos usar o big data para indicar o que os consumidores
precisam. “Vocês precisam reagir. Temos ferramentas para ajudar
vocês a vender. Vocês estão dispostos a fazer algo mais do que
ouvir palestras?”, provocou.
Eduardo Dal Ri, vice-presidente e
presidente da comissão de auto destacou as inovações das
seguradoras que facilitam a vida dos corretores e também dos
segurados. Apesar disso, ele disse que tem ouvido muito que as
seguradoras só dão trabalho para o corretor, “mas as seguradoras
têm investido muito em inovação para deixar os corretores mais
livres para vender”, destacou. Segundo ele, as companhias trabalham
para ser um dos mercados que mais tirem proveito da disruptvidade e
do rápido crescimento da tecnologia que tem acontecido. Ele citou
como exemplo o uso da telemetria seja ela embarcada ou por
aplicativo. Isso permitirá que seja possível se chegar ao justo da
tarifação. “Vamos conseguir diferenciar e ver duas pessoas da mesma
idade e do mesmo sexo que são diferentes à frente do volante”,
destacou.
Pomarole falou sobre o seguro popular.
Ele questionou por que poucas seguradoras lançaram o seguro
popular? Por que os corretores não oferecem aos clientes? E Por que
o preço ainda não chegou no patamar esperado?
Ele lembrou que o seguro popular
começou a ser discutido pela Susep há 10 anos e apenas em 2014
houve a lei que aprovou o uso de peças usadas nos carros
brasileiros. “Existem cerca de 40 empresas em todo o país
aptas a fornecer esse tipo de peça para as seguradora. Ainda
é pouco”, afirmou. Ele disse ainda que são 60 milhões de veículos
na frota e, desse total, apenas 30% tem seguro. “Dos veículos
com mais de 5 anos, apenas 10% fecham seguro. Achamos que o
seguro popular é importante para o combate a essas empresas de
proteção veicular. Se enfrentarmos o seguro popular como
enfrentamos no passado o perfil do segurado, teremos sucesso”,
aposta.
O presidente da Tokio Marine,
Adalberto Ferrara, provocou o executivo da Porto Seguro dizendo que
a Tokio tem 90% de market share do seguro auto
popular. “São clientes que estavam fora e adentraram no mercado”,
revelou. O executivo concorda que o seguro auto popular é que pode
combater às associações de proteção veicular.
Ferrara disse ainda que o pensamento
dos seguradores é apoiar o canal de distribuição corretor de
seguros. “Inovamos na plataforma para ajudar o corretor de seguros.
Os seguradores estão aqui compromissados em distribuir nossos
produtos pelos corretores de seguros, não há iniciativa em fazer
venda direta”, assegurou.
João Francisco Borges da Costa,
presidente da FenSeg, destacou que nos últimos três anos o mercado
de seguros sentiu o período de recessão enfrentado pelo país. “As
companhias tiveram de se adaptar com uma rapidez importante”,
destacou. Os ajustes de preço e aumento no valor do seguro devido
aos índices de roubo acabou por criar um cenário favorável para a
expansão das associações de proteção veicular. “Consideramos isso
uma séria ameaça. O seguro de auto é um dos pilares do mercado. O
que vemos hoje é uma entrada e expansão do mercado de uma atividade
ilegal que mexe com a economia popular”, destacou. Segundo ele, a
atividade das associações crescem à custa do período recessivo, mas
que lá na frente criam um risco excessivo. “Estamos falando de ris
co sistêmico”, alertou.