Demora para
aprovação de pesquisas clínicas leva entre 12 e 15 meses no País.
Países desenvolvidos levam em torno de dois
meses
A
demora para aprovação da pesquisa clínica fez com que o Brasil
deixasse de participar do desenvolvimento de 112 remédios. É o que
apontam dados da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa
(Interfarma), divulgados essa semana no lançamento da Aliança
Pesquisa Clínica Brasil, que pretende sensibilizar as agências
reguladoras para a mudança da regulação do setor.
“Não
estamos querendo facilidade, queremos agilidade neste processo”,
disse Florentino Cardoso, presidente da Associação Médica
Brasileira (AMB), entidade participante do movimento.
Necessária para o desenvolvimento de novos
medicamentos, a pesquisa clínica é a fase em que os desenvolvedores
testam o novo remédio em voluntários e comparam o resultado com os
efeitos das drogas mais modernas do mercado, usadas por outro grupo
de pacientes.
Laboratórios e universidades de todo o mundo
buscam ao mesmo tempo diversos países para executarem suas
pesquisas, e junto delas também vão investimentos nas entidades que
a recebem, inclusive em universidades. Para isso são elaborados
protocolos que explicam, entre outras coisas, no que consiste a
pesquisa, a que tipo de procedimento o paciente será submetido, os
possíveis sintomas. Estes protocolos são avaliados pelos países,
que autorizam ou não a pesquisa.
Segundo a Aliança, o processo para a aprovação
desta fase no Brasil, que é o sexto maior mercado farmacêutica do
mundo e 15º em participação em pesquisas clínicas, demora entre 12
e 15 meses, enquanto que nos Estados Unidos, maior mercado mundial
de medicamentos e maior centro de pesquisa, dura cerca de dois
meses e na maioria dos países europeus dura pouco mais de dois
meses e meio. Nos vizinhos Peru e Argentina, esse processo demora
cerca de quatro meses.
De
acordo com o professor da PUC de Porto Alegre e membro da Aliança,
Carlos Barrios, há em média 170 mil estudos em andamento em todo o
mundo, menos de 2% deles estão acontecendo no Brasil. “De acordo
com a nossa potencialidade nós temos uma proporção irresponsável de
estudos que a gente poderia participar e não participa”.
Segundo Barrios, a pesquisa clínica beneficia o
paciente que participa, porque tem acesso a um tratamento
potencialmente melhor do que os existentes, com acompanhamento de
especialistas, beneficia a instituição, que vai receber recursos
porque o paciente está entrando na pesquisa clínica, também
beneficia o investigador, que está produzindo a pesquisa naquela
instituição e eventualmente vai ganhar informações, conhecimentos,
publicações e vai receber pelo trabalho. Ele também ressalta que o
país ganha recursos e também o patrocinador ganhar porque
eventualmente vai produzir uma droga comercial. “É um círculo
virtuoso”, diz.
“Com
essa demora, o Brasil aborta a possibilidade de o paciente ter
acesso a ótimos tratamentos, o país perde transferência de
conhecimento inovação. Desenvolvimento está intimamente ligado a
pesquisa”, avalia Irani Francischetto, diretora executiva do Centro
de Diagnostico e Pesquisa da Osteoporose do Espírito Santo e membro
da Aliança.
A
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), principal órgão
do setor de medicamentos, reconhece que a pesquisa clínica tem
papel estratégico na vinda de recursos e conhecimento ao país. A
entidade se comprometeu recentemente a apresentar ao Senado
proposta que melhore os prazos atuais.
Segundo a agência, em 2012 foi publicada
determinação que autoriza pesquisa clínica já avaliados por outras
agências reguladoras que têm os mesmos critérios adotados no
Brasil, como Estados Unidos, Europa, Japão, Austrália e
Canadá.