Com
mais de 100 milhões de brasileiros conectados à internet, metade
deles também por meio de aparelhos móveis, o comércio eletrônico no
país cresce sem sentir os efeitos do fraco desempenho da economia.
Segundo dados do 30º relatório WebShoppers, divulgado no final de
julho, o faturamento desse segmento cresceu 26% no último semestre,
devendo atingir R$ 35 bilhões até o final do ano.
Apesar de o país ser quinto maior em número de
habitantes conectados, muitas empresas brasileiras ainda estão se
acostumando a essa nova realidade, e começam agora a trilhar o
caminho dos negócios digitais. Este é o caso do mercado de seguros,
em que as empresas se apressam em modelar produtos e serviços mais
atraentes aos consumidores do ambiente digital.
A
crença geral é que o tempo é curto para acompanhar tamanha mudança.
Com o crescente número de usuários e de acessos, alguns
especialistas apostam que em apenas cinco anos o país dará um salto
de desenvolvimento no universo digital. No âmbito do seguro a
previsão foi confirmada por pesquisa recente da consultoria
Capgemini, especializada em tecnologia, que envolveu 14
países.
De
acordo com a pesquisa, as seguradoras acreditam que em cinco anos
quase um terço de seus negócios ocorrerão por meio digital – cerca
de 20% em canais online e aproximadamente 11% em canais móveis. No
Brasil, por enquanto, as vendas de seguros por meios remotos ainda
representam apenas 1% de todo o volume comercializado, segundo
dados da Susep.
Mas
ninguém duvida da tendência de mudança nesse cenário. Para o
presidente do CVG-SP, Dilmo B. Moreira, a utilização de meios
remotos em seguros no Brasil ainda é uma novidade, inclusive
sujeita a interpretações variadas quanto à aplicabilidade,
comercialização, aceitação e parte legal. “Com o amadurecimento do
mercado, métodos e meios, entendo que o futuro reservará
interessantes oportunidades para a disseminação do comércio
securitário por estes – ainda novos – caminhos”, diz.
No
intuito de estimular o desenvolvimento do comércio eletrônico de
seguros, a Susep editou a Resolução CNSP 294/2013, que define
parâmetros mínimos e linhas gerais para a venda de seguro e
previdência por meios não presenciais. “Para acompanhar, de algum
modo, a evolução digital do comércio virtual, a Susep canalizou
esforços para regulamentar a utilização de meios remotos”,
assinalaram os técnicos da Coordenação de Estudos e Estatística
(COEST/CGPRO) da Susep, em correspondência enviada ao CVG-SP com
esclarecimentos sobre a resolução.
A
aplicação da resolução foi amplamente discutida em seminário sobre
a venda de seguros por meios não presenciais, realizado pelo CVG-SP
e a Funenseg em abril. Na ocasião, foram tantas as dúvidas sobre o
assunto, que o CVG-SP decidiu encaminhar à Susep as perguntas que
não puderam ser respondidas no evento. O material, que está
disponível para consulta no site do CVG-SP, traz importantes
esclarecimentos sobre o uso de login e senha, responsabilidade pela
guarda de dados etc.
Evolução a caminho
O
interesse do mercado de seguros pelos canais digitais não existe
apenas no Brasil. O relatório da consultoria Capgemini conclui que
estes canais, sobretudo os móveis, são os que mais prometem gerar
lucros relacionados ao comportamento dos clientes. Também de acordo
com os clientes e seguradoras analisados para o relatório, é
necessário haver um aperfeiçoamento dos canais digitais nas áreas
de pagamento de sinistros e aquisição de apólices.
Segundo Dilmo B. Moreira, nesse aspecto o mercado
de seguros brasileiro vem avançando. Além da venda de seguros, o
setor já utiliza os meios remotos para pagamentos de sinistros. “A
operação é feita por meio de créditos em conta corrente e troca de
informações eletrônicas”, diz, acrescentando que, dependendo do
tipo de seguro, as seguradoras também aceitam cópias simples de
documentos por meio e-mail.
“Considerando o valor do capital e tipo de risco,
a evolução dos processos de regulação e liquidação de sinistros
poderá chegar a ponto de termos larga utilização de meios remotos
naqueles procedimentos”, diz o presidente do CVG-SP.
O
estudo da Capgemini destaca que mais importante que vender é gerar
uma experiência positiva aos clientes, observando sua preferência
pelo uso da internet e de canais digitais. Este seria, no entanto,
o segundo passo das empresas de seguros no uso de meios não
presenciais, estágio em que as instituições financeiras estão à
frente. “A transformação digital é fundamental para melhoria da
experiência dos clientes, mas as seguradoras estão ficando para
trás”, diz Jean Lassignardie, diretor da Capgemini.
Dilmo
B. Moreira reconhece que o sistema bancário brasileiro está mais
adiantado em relação à aplicação de alta tecnologia e
interconectividade. “É fato que esse mercado saiu na frente no
desenvolvimento de sistemas e automatização. Portanto, é natural
que estejam mais evoluídos”, observa.
Porém, ele acredita que nada impeça as
seguradoras de avançarem nesse caminho. “Considerando o nível de
tecnologia disponível, acredito que o mercado de seguros
rapidamente se aproximará do patamar de evolução dos bancos no uso
de meios remotos”, afirma.