Cientistas americanos anunciaram na segunda-feira (25) o avanço
em um novo tipo de terapia celular imunológica que fez desaparecer
a leucemia em uma menina usando suas próprias células T
reprogramadas para combater o câncer.
O estudo do caso de Emily "Emma" Whitehead, de 7 anos, gera a
esperança de um novo caminho contra um tipo de leucemia forte,
conhecida como leucemia linfoide aguda (LLA), que poderia inclusive
substituir a necessidade de quimioterapia e transplantes de medula
óssea algum dia.
Mas a pesquisa publicada na revista New England Journal of Medicine
também descreve a tentativa de reprogramar células T ou linfócitos
T - os encarregados de coordenar a resposta imunológica celular no
nosso organismo - em outra criança que não sobreviveu, apontando
para a necessidade de mais estudos para melhorar a terapia que está
sendo testada.
A LLA é a forma mais comum de leucemia em crianças e costuma ter
cura. No entanto, nos casos das crianças estudadas, tratava-se de
um tipo de alto risco que é resistente a tratamentos convencionais,
razão pela qual seus pais decidiram que participassem dos testes
clínicos deste novo método.
A técnica consiste em eliminar do sangue dos doentes os
linfócitos T, principais células do sistema imunológico, para
modificá-las geneticamente com a ajuda de um vírus e dotá-las de um
receptor molecular que lhes permite atacar as células
cancerígenas.
Sem a reprogramação, os linfócitos T não são capazes de combater
a doença, mas os cientistas os transformaram em células CTL019 e
voltaram a inseri-las nos pacientes, onde se multiplicaram até
somar milhares. No caso de Whitehead, elas permaneceram em seu
corpo durante meses.
"Emily permanece saudável e não tem câncer 11 meses depois de ter
recebido linfócitos T geneticamente modificados que permitiram se
concentrar em um objetivo concreto presente neste tipo de
leucemia", destacou a Universidade da Pensilvânia em um
comunicado.
A segunda criança acompanhada neste estudo de duas pessoas tinha
10 anos e também demonstrou evidências de câncer durante dois meses
após o tratamento, mas sofreu posteriormente uma recaída fatal
quando o câncer voltou na forma de células de leucemia que não
abrigavam os receptores das células específicas que eram o objetivo
da terapia.
"O estudo descreve como estas células têm um efeito anticancerígeno
poderoso nas crianças", afirmou o co-autor da pesquisa, Stephan
Grupp, do Hospital Infantil da Filadélfia, onde os pacientes
participaram dos testes clínicos.
"No entanto, também aprendemos que em alguns pacientes com LLA
precisaremos modificar mais o tratamento para nos concentrarmos nas
outras moléculas na superfície das células da leucemia",
acrescentou.
Os cientistas da Universidade da Pensilvânia desenvolveram
primeiro esta terapia de linfócitos T para ser utilizada em
pacientes adultos que sofriam uma forma diferente de leucemia,
conhecida como leucemia linfática crônica (LLC).
Em 2011, um pequeno teste com três adultos já tinha demonstrado
um primeiro êxito inicial com o método. Dois desses pacientes ainda
demonstram uma remissão do câncer mais de dois anos e meio
depois.