diretor-presidente
da Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS), Wadih Damous,
defende mudança no eixo da regulação, com transição do foco no
“procedimento isolado” para a “linha de cuidado”, com foco na
atenção primária, na prevenção e nos desfechos clínicos. Segundo
ele, o modelo atual, centrado no procedimento e não na pessoa,
mostra sinais de esgotamento.
Ele fez a defesa durante a abertura
do 17º Seminário Unidas, realizado no Centro
Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília (DF),
nesta terça-feira (14). O evento reúne decisores do setor,
autoridades públicas e parceiros estratégicos. É espaço relevante
para o debate e o aprimoramento da saúde suplementar no país.
Damous classificou o momento do
setor como um ponto de inflexão, caracterizado não como uma
turbulência passageira, mas como uma crise estrutural. “O
que está em jogo não é apenas equilíbrio de contratos, nem apenas a
sustentabilidade financeira das operadoras. O que está em jogo é a
capacidade do país de assegurar cuidado digno, racional e acessível
a milhões de brasileiros”.
Ao abordar o uso da inteligência
artificial, destacou seu potencial para identificar riscos
precocemente e organizar o cuidado. No entanto, alertou para o uso
inadequado da tecnologia. Segundo ele, sob incentivos equivocados,
ferramentas podem ser utilizadas para excluir beneficiários de
forma indireta. Nesse contexto, reforçou o princípio de que, uma
vez identificado o risco, cabe ao sistema garantir o cuidado, sem
exclusão ou barreiras de acesso.
Governança e sustentabilidade
Damous também lembrou que as
operadoras de autogestão são referência para o novo ciclo
regulatório, por sua natureza sem fins lucrativos e pelo modelo
centrado no beneficiário. Mencionou, ainda, a Resolução Normativa
nº 649/2025, com vigência a partir de 1º de julho de 2026, como
medida voltada ao fortalecimento da governança e da
sustentabilidade dessas operadoras.
Sobre a judicialização, afirmou que
não se trata da causa, mas de um dos principais sintomas da crise e
defendeu a superação de um modelo regulatório fragmentado e
reativo. Reforçou que a regulação deve ter como foco central a
pessoa.
A mesa “Novos marcos
regulatórios: caminhos e impactos para a saúde
suplementar” foi mediada por Mário Jorge Vital,
presidente da Unidas, e contou com a participação de representantes
de entidades do setor. Breno Monteiro, presidente
da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde); Bruno
Sobral de Carvalho, diretor-executivo da Fenasaúde; Cesar Nomura, presidente
do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina
Diagnóstica (Abramed); Francisco Balestrin,
presidente da Fesaúde e do SindHosp; Giovanni
Cerri, presidente do Conselho de Administração do Icos,
Presidente do InovaHC e presidente do Conselho Diretor do
Inrad-HCFMUSP; Gustavo Ribeiro, presidente
da Abramge; Marco
Aurélio Ferreira, diretor de Relações Governamentais na
Anahp.